Juninho recorda começo no Flamengo e explica mudança para o maior rival: “Sempre tive vontade de jogar no Vasco”
Por Redação 90min
![Em carta ao The Players Tribune, volante vascaíno fala sobre seu amor pelo clube e exalta a Resposta Histórica contra o racismo Em carta ao The Players Tribune, volante vascaíno fala sobre seu amor pelo clube e exalta a Resposta Histórica contra o racismo](https://images2.minutemediacdn.com/image/upload/c_crop,w_4000,h_2250,x_0,y_249/c_fill,w_720,ar_16:9,f_auto,q_auto,g_auto/images/GettyImages/mmsport/90min_pt-BR_international_web/01g022erze59skj5gw05.jpg)
Em texto publicado no The Players’ Tribune, o volante Juninho exaltou a Resposta Histórica do Vasco, que completa 98 anos nesta quinta-feira. No documento, o clube se recusou a jogar a liga metropolitana do Rio de Janeiro de 1924 após a organização vetar seus jogadores negros e de origem humilde.
“Há 98 anos, o Vasco escrevia uma das páginas mais bonitas do futebol brasileiro. Com palavras simples, como estas que eu estou escrevendo agora, o clube mandou o papo reto: abandonou o principal campeonato da época por ser proibido de inscrever seus jogadores pretos, pobres e trabalhadores”, escreveu o jogador, antes de dizer por que se sente representado pela história do clube.
"Pra minha sorte, encontrei um clube disposto a lutar — e que segue lutando — por mim.
— The Players' Tribune Brasil (@TPTBrasil) April 7, 2022
O clube do meu coração."@JR_50vasco fala sobre seu amor pelo @VascodaGama e relembra a importância social do clube no dia dos 98 anos da Resposta Histórica.https://t.co/K0S4pobFa8
“Nem preciso dizer que me identifico com a história do Vasco. Se eu estou em campo hoje, vestindo essa camisa, é porque lá atrás os vascaínos compraram a briga para que pessoas como eu tivessem o direito de jogar futebol”, argumenta.
No texto, Juninho ainda relembra um episódio de racismo que sofreu na Bolívia, em 2020, num jogo contra o Oriente Petrolero, pela Copa Sul-Americana.
“Eu estava aquecendo quando escutei alguns sons diferentes vindos da arquibancada. Demorei a entender. Não era um torcedor. Era o estádio inteiro imitando macaco e fazendo uh uh uh para me provocar. Cara, eu nunca tinha vivenciado uma coisa dessas antes. Foi muito ruim, muito revoltante”, conta o volante.
Segundo Juninho, tanto a diretoria quanto jogadores e comissão técnica do Vasco prestaram o devido apoio naquele momento.
“Mas o Vasco não se calou. Na hora, todos os jogadores me defenderam. Inclusive, o Ricardo Graça, que é branco, foi um dos primeiros a reclamar com a arbitragem. A diretoria me deu apoio, denunciou os atos e fez um manifesto cobrando respeito. Também recebi muitas mensagens de solidariedade dos nossos torcedores. Não tem como ser Vasco e ser racista, impossível.”
Outro tópico abordado por Juninho na carta foi seu início no Flamengo. Ele jogou no time rubro-negro dos 9 aos 15 anos. Porém, acabou sendo formado e lançado pelo Vasco, realizando um sonho de infância. Para ele, os embates contra o Cruzmaltino na base eram um incentivo em busca da oportunidade de virar a casaca.
“Falando a verdade, enfrentar o Vasco era uma inspiração nessa época”, explica. “Meu primeiro jogo no campo pelo Flamengo foi justamente contra o Vasco, e eu marquei um gol de pênalti. Não era legal fazer gol em cima do time que eu torcia, mas, ao mesmo tempo, eu queria jogar bem, o melhor que podia, torcendo para que um dia o Vasco me chamasse, entendeu?”
Leia a carta completa de Juninho.