Muito mais do que um simples título estadual
Por Gabriela Martins
#VozDoTorcedor
Para quem diz que é exagero o alarde a respeito do título paulista do São Paulo no domingo, certamente não reparou em 3 coisas: os torcedores em volta do Cícero Pompeu de Toledo, o semblante dos jogadores e comissão técnica e o choro de Muricy Ramalho.
Ouvi muitos comentários e até brincadeiras quando a diretoria e jogadores se referiram a final do ‘paulistinha’ como final de Copa do Mundo. Mas realmente foi. Quem estava no Morumbi, como eu, conseguiu perceber isso sem muito esforço.
Está longe de ser apenas uma conquista estadual para o SPFC. É o fim de um jejum de 9 anos, fim da fila, um peso inimaginável tirado das costas de cada são-paulino. O time ganha confiança, a diretoria, moral para trabalhar, e a torcida um sentimento de alívio que não sentia há muito tempo.
A frase de Crespo (que agora está gravada no vestiário do Morumbi e na cabeça de todo torcedor) representa essa conquista: Donde no llegan las piernas, va a llegar el corazón. Não faltou alma, venceu o time que estava focado e valorizou o campeonato desde o início.
A fome da comissão técnica casou com a fome do torcedor. O clima no Morumbi era o melhor possível, desde cedo a torcida estava a postos do lado de fora com sinalizadores, bandeirões e até caixões de papelão ‘enterrando’ o Palmeiras. A confiança era enorme. O jogo começou e o silêncio desconfortante de jogos sem torcida nem foi sentido, pois o barulho, energia e fumaça de fora do estádio invadiram o gramado.
Assisti ao jogo na arquibancada, do meu lado direito, a delegação do Palmeiras com Edu Dracena e companhia e no lado esquerdo, a do SPFC com Vitor Bueno e Benítez por ali, e claro, o maior são paulino da atualidade: Muricy Ramalho.
Muricy estava mais reservado e bastante concentrado durante todo o jogo, porém quando o árbitro apitou, ele não conseguiu conter o choro. Foi uma das imagens mais marcantes da minha vida dentro do futebol. Chorei junto. E como chorei. Esqueci um pouco do profissionalismo nessa hora.
Desci para o gramado, onde pude sentir a energia de todos que estavam ali. Um dos que mais me chamaram atenção foi o Daniel Alves, que já ganhou quase tudo na carreira e estava eufórico com um ‘simples’ campeonato estadual. Crespo e comissão exalavam alegria, parecia que estavam no clube há anos e sabiam exatamente a dimensão da conquista para o torcedor. Reinaldo emocionado. Miranda voltando e sendo campeão. Os meninos de Cotia corriam pelo campo pulando e cantando. É justamente essa euforia que comprova que a 22ª conquista estadual do Tricolor não foi uma qualquer. No final, os jogadores ainda foram saudar os torcedores fora do estádio, e realmente não tinha como não ir, pois além da linda festa que faziam ali na frente, o grito de ‘É campeão’ estava entalado desde 2012.
Ufa! Que dia memorável, que experiência incrível!
Do torcedor ao presidente, cada um está 400kg mais leve.
Parabéns a todos que fizeram esse momento se tornar inesquecível. Que seja apenas o começo!